Entendendo a ABNT PR 2030-1: Implementando ESG de Forma Estratégica

O cenário global de negócios está em constante mutação, impulsionado por crescentes riscos climáticos e demandas sociais que redefinem o sucesso a longo prazo. Neste contexto, a ABNT PR 2030-1: Ambiental, Social e Governança (ESG) – Parte 1 surge como um guia essencial, oferecendo conceitos, diretrizes e um modelo de avaliação e direcionamento para todas as organizações no Brasil, independentemente de seu porte ou setor de atividade.

Mas, pare e pense: sua organização está realmente pronta para a transformação que o ESG exige? Ou estamos apenas “fazendo o de sempre” (business as usual) com uma etiqueta nova?

Os 8 Passos para Incorporar o ESG segundo a ABNT PR-2030

A ABNT PR 2030-1 é uma Prática Recomendada que estabelece uma visão sistêmica para que as organizações integrem o ESG de forma estratégica.

A incorporação de práticas ESG aponta para um novo modelo de desenvolvimento econômico, onde a consideração desses critérios é um motor para a melhoria de performance e criação de vantagem competitiva.

Para navegar essa mudança, o documento detalha a Jornada ESG, um processo de melhoria contínua e evolutiva, que sugere oito passos fundamentais para incorporar o ESG na estratégia e modelo de gestão da organização.

  1. Conhecer: Entender o contexto histórico e os conceitos fundamentais do ESG.
  2. Ter intenção estratégica: Trazer intencionalmente as questões ESG aplicáveis à atividade para a estratégia organizacional, com o comprometimento e a ambição da liderança para uma mudança transformadora.
  3. Diagnosticar: Iniciar o levantamento das práticas de sustentabilidade, recursos e processos para embasamento do grau de maturidade.
  4. Determinar a materialidade: Priorizar os temas críticos ESG por meio de um processo estruturado de gerenciamento de riscos e oportunidades.
  5. Planejar: Definir o escopo ESG da organização, estabelecendo políticas, objetivos, metas e planos de ação para responder aos temas materiais.
  6. Implementar: Executar a estratégia e as políticas de sustentabilidade, promovendo a integração entre gestão de processos, relacionamento com as partes interessadas e a mudança da cultura organizacional.
  7. Medir e monitorar: Acompanhar o que foi planejado e implementado, utilizando indicadores de desempenho ESG que reflitam como o negócio gera valor e gerencia riscos e impactos. 
  8. Relatar e comunicar: Estabelecer um canal de transparência com as partes interessadas, divulgando o desempenho e impacto nos aspectos ESG. 

A Dupla Materialidade e a Escala de Maturidade

A parte mais provocadora da ABNT PR 2030-1 reside na profundidade da análise necessária. Para definir as prioridades estratégicas, as organizações são chamadas a determinar a Materialidade (Passo 4). 

A norma recomenda adotar a Dupla Materialidade, que vai além da forma como as questões socioambientais afetam a organização financeiramente (materialidade financeira ou outside in) e abrange também o impacto que a organização gera sobre o meio ambiente e a sociedade (materialidade de impacto ou inside out).

A grande questão é: Em que estágio sua organização está?

A ABNT PR 2030-1 propõe um modelo de avaliação com cinco estágios evolutivos para medir a maturidade nos critérios ESG.

  1. Elementar: Foco apenas no atendimento à legislação e requisitos regulamentares.
  2. Não Integrado: Práticas dispersas e não integradas à gestão.
  3. Gerencial: Processos estruturados para mitigação de riscos e melhoria de eficiência. Aqui se inicia a aderência às práticas ESG.
  4. Estratégico: ESG é usado para diferenciação, inovação, com objetivos, metas e monitoramento contínuo.
  5. Transformador: A organização gera valor compartilhado, influência e catalisa mudanças transformacionais em seu setor e cadeia de valor.

Organizações no Estágio 5 entendem que o propósito foca na criação de valor para todas as partes interessadas (stakeholders), e não apenas na maximização do valor para o acionista (shareholder).

Um chamado à liderança: Rumo ao estágio transformador

Para alcançar os estágios mais altos, a liderança deve ser proativa e demonstrar compromisso pessoal com os princípios ESG. Isso significa transformar a estratégia para que o negócio não apenas gerencie riscos, mas também promova ativamente a inovação, a resiliência e o valor compartilhado de longo prazo.

A integração do ESG não é uma opção, mas uma necessidade para manter a competitividade em um cenário global em evolução. Ao utilizar o referencial da ABNT PR 2030-1 para mapear e impulsionar sua evolução, você assume um papel de agente de mudança positiva na sociedade.

Se a sua organização não está mirando o Estágio 5 – Transformador, ela está preparada para o futuro?

Foto de Raissa Santos

Raissa Santos

Profissional com experiência ONG’s e empresas privadas, atuando principalmente com Gestão de Projetos Socioambientais, Responsabilidade Social Corporativa, Gestão de Processos Financeiros/Administrativos e Certificações Internacionais, como a certificação de Empresa B. Raissa é co-fundadora e Diretora Administrativa da organização social Kurytiba Metropole que atua diretamente com o Desenvolvimento Sustentável e Qualidade de vida, Democracia Participativa e Inclusiva e Equidade e Justiça Social. Como iniciativa destaque temos o Mapa das Desigualdades de Curitiba e região metropolitana que está sendo realizado em parceria com a Universidade Federal do Paraná – UFPR. Possui especialização em Empreendedorismo e Negócios Social (FAE Business School) e graduação em Gestão Financeira (Universidade Opet). É certificada em Relatos de Sustentabilidade baseados nos Padrões de Relatórios de Sustentabilidade da GRI (GRI Professional Certification Program) e em PMD Pro – Project Management for Development Professionals (APMG International).

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